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25/03/2016 11:57

A (não tão) Complexa Questão da Água - Alberto Miguel.

Os últimos anos têm sido cheios de notícias sobre a água no mundo. Muitos artigos foram escritos por gente importante mostrando que a água está  “se acabando”  e que o mundo vai ver em breve conflitos relacionados a ela.

Em nosso Brasil já observamos algumas situações que parecem confirmar esta hipótese. Os últimos dois anos foram secos, o Rio São Francisco está mais seco do que nunca esteve, os reservatórios das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, bem como de Belo Horizonte, estão em níveis preocupantes e por todo lado se fala em racionamento.
O Nordeste continua sofrendo com a seca e o Centro Oeste, Sudeste e Sul nunca estiveram com seus reservatórios tão baixos para esta época do ano, fazendo com que os governantes tenham calafrios sobre as possíveis consequências do que está por vir.
A própria presidente tem usado a seca como desculpa para a inflação que parece estar descontrolada.
O que fazemos? Rezamos aos céus e pedimos a Deus que mande chuva. Pouquíssimas vezes esta foi, de fato, a solução. Sempre buscamos, através de obras emergências (e sem licitação, sem controle) atacar este problema. E esta parece ser, sempre, a única solução.
Mas será que esta solução está atacando a verdadeira raiz do problema? Se fosse assim, este problema já não teria sido solucionado há muito tempo atrás, quando o Engenheiro Paulo de Frontin resolveu o problema da água no Rio de Janeiro em apenas seis dias no que ficou conhecido como Episódio da Água em Seis Dias.
Quando se resolve a raiz de um problema, este deveria simplesmente desaparecer e não se tornar cíclico, como se vê na questão da água. Assim, temos uma boa razão para pensar que a raiz deste problema ainda não foi solucionada.
Para entender esta questão, precisamos olhar para o ciclo da água. Precisamos fazer com que o ciclo da água se torne mais efetivo.Vamos, então, por partes:
O ciclo da água começa com a evaporação da água nos oceanos, lagos, rios, superfícies do solo, transpiração das plantas, toda ela transformada em vapor. Sobe para a atmosfera (onde ajuda a aumentar o efeito estufa, sendo o principal gás entre os que causam este efeito) e volta a terra via chuva.
Aqui começa o nó. Em um ciclo de água efetivo, toda esta chuva deveria penetrar no solo, percolar (ou seja, descer pelo perfil do solo até as suas profundezas) até os lençóis freáticos, abastecer os aquíferos espalhados pelo  mundo e aparecer novamente POR INFILTRAÇÃO, nos diversos corpos d´água (minas, rios, lagos etc.).
O problema é que hoje em dia uma boa parte desta água acaba escorrendo superficialmente (porque não consegue penetrar no solo devido às condições em que este se encontra), indo direto aos rios, causando inundações e catástrofes em seu caminho.
Porque esta água não penetrou toda no solo, em pouco tempo os sinais de seca são sentidos. Vamos explicar:
Imagine uma esponja bem grossa, de 30 centímetros de espessura. Ela consegue absorver, digamos, 4 litros de água. Agora imagine que afinamos esta esponja até que ela tivesse apenas 7.5 centímetros de espessura (um quarto da espessura original). Naturalmente ela só conseguiria absorver 1 litro de água. Se as duas fossem colocadas sob o sol, certamente a esponja mais grossa permaneceria úmida por mais tempo.
O mesmo ocorre com o solo!
Porque teve sua condição de absorção comprometida, absorve menos água e seca mais rápido. Por vezes a pluviometria de uma região permanece a mesma, mas os produtores rurais “percebem” que a pastagem não fica mais verde por tanto tempo, que precisam irrigar mais, que os rios já não correm com a mesma vazão, que a represa não se enche como antigamente.
Para resolvermos esta questão de forma definitiva, portanto, precisaremos restabelecer o ciclo da água e torná-lo o mais efetivo possível.
Mas como fazê-lo?
Precisamos fazer com que os solos das bacias hidrográficas do país possam absorver, novamente, a mesma quantidade de água que absorviam antes que começássemos a manejá-los de forma errada.
Você, produtor rural, deve ir às suas pastagens e observar se existem crostas duras na superfície do solo, onde crescem musgos, algas e liquens. Este é um sinal de que sem dúvida seu solo deixou de absorver toda a água que poderia.
Deve observar se os sistemas radiculares das plantas de suas pastagens têm profundidades variáveis, pois assim podem “quebrar” qualquer camada de compactação no subsolo que porventura esteja impedindo a água de percolar como deveria.
Deve observar se existem micro erosões laminares (aqueles “caminhos de água” entre plantas de sua pastagem, mostrando que a água andou se movimentando morro abaixo, ao invés de solo abaixo).  Deve observar se durante uma chuva a descarga de suas terras está “suja” de terra.
Depois, precisa tomar medidas para acabar com estas situações, de maneira que TODA A CHUVA QUE CAIA EM SUAS TERRAS seja aproveitada por suas plantas.

Se todos os produtores tomarem este cuidado, entraremos em um ciclo virtuoso, com o restabelecimento da efetividade do ciclo da água, a diminuição da frequência e intensidade de secas e inundações e uma diminuição do vapor d´água na atmosfera, com consequente diminuição do efeito estufa. 

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